O que os ditados populares me ensinaram sobre e-commerce.

Quando iniciei a jornada de construção do meu primeiro negócio digital, não fazia ideia dos grandes desafios que iria enfrentar para estruturar e consolidar o meu e-commerce. Neste contexto, o dia a dia acabou guiando a necessidade de aprofundamento teórico em áreas críticas de sucesso nesse mercado virtual.

Doze meses depois de a minha loja entrar no ar, percebi a importância de compartilhar o que aprendi até aqui. Com auxílio da sabedoria popular e dos famosos ditados, selecionei 10 ensinamentos que precisam ser passados para a próxima “geração” de empreendedores digitais.

1 – Quem não é visto não é lembrado

Quando pensamos em um negócio online, logo relacionamos com a possibilidade de atingir muitas pessoas em diversos locais do Brasil. E até do mundo, para os mais ousados. Porém, esse oceano de oportunidades pode se tornar um córrego bem estreito. Principalmente quando não existe uma estratégia de marketing digital estabelecida para atrair clientes e aumentar o reconhecimento de marca por meio de práticas orgânicas e pagas.

Ao passo que os consumidores são bombardeados com muitas informações diariamente, a empresa que não é vista raramente vai ser lembrada no momento que precisamos adquirir um determinado produto ou serviço. Isso sem considerar as muitas vezes que compramos sem ao menos ter a consciência explicita do problema. Assim, a estratégia de comunicação do e-commerce deve ser diversificada, contemplando os seguintes aspectos:

  • Inbound Marketing: Criação e compartilhamento de conteúdos relevantes para que a empresa conquiste a confiança e a permissão de se comunicar diretamente com o público, atraindo a persona para o topo do funil.
  • Marketing de Conteúdo: Nutrição de leads por meio de landing pages, redação de artigos para blog, publicação em mídias sociais, divulgação de infográficos, criação de e-books, organização de webinars, gravação de vídeos e assim por diante.
  • SEO (Search Engine Optimization): Otimização de sites para que ocorra uma melhoria no posicionamento da página nos resultados orgânicos dos mecanismos de busca, como no Google, por exemplo, gerando tráfego gratuito.
  • Redes Sociais: Presença nas redes sociais mais relevantes para a persona, construindo uma estratégia de relacionamento e possibilitando ter um canal de interação entre a marca e o seu público.
  • E-mail Marketing: Disparos de e-mails informacionais, transacionais, educacionais e de nutrição para a base de leads e de clientes cadastrados.
  • Mídias online: Baseadas em resultados de curto prazo, as mídias podem ser adquiridas, possuídas ou pagas. Aqui estão os links patrocinados, Google Ads, e o retargeting.

2 – De grão em grão, a galinha enche o papo

Tudo na vida leva tempo e no e-commerce não é diferente. O sucesso de uma loja virtual é fundamentado em uma construção de longo prazo, onde o tempo é essencial. Nesta hora é preciso ter fôlego financeiro para aguentar o período inicial de baixo faturamento e grandes investimentos, bem como muita força de vontade para não desanimar no meio do caminho.

Analise os maiores players do seu mercado e veja quantos anos eles demoraram para chegar onde estão. Tenha em mente o quanto você evoluiu e aprendeu desde quando lançou o seu site e lembre que o crescimento virá de maneira exponencial para quem persistir no negócio.

Saiba que as otimizações de SEO que você vai fazer no seu e-commerce podem demorar até um ano para impactar no seu ranqueamento nos motores de busca e que domínios mais antigos possuem uma autoridade bem maior do que domínios muito recentes. Então é preciso ter paciência e comemorar os pequenos resultados diários: você está construindo ativos!

3 – Quem tudo quer, nada tem

Foco é uma palavra de ordem no e-commerce e já começa na hora de escolher um nicho específico de atuação, um mercado que você domine e ame (de preferência, é claro). Em um segundo momento, quando está se pensando em uma estratégia efetiva de SEO, o foco deve ser levando em conta novamente já que quem tudo quer, nada tem.

Tanto as categorias quanto as páginas específicas de produtos devem ter descrições detalhadas, com imagens, tabelas, vídeos e outras mídias que ajudem o consumidor na jornada de compra. Esse conteúdo, além de aumentar a conversão, também auxilia a atrair mais visitantes do Google sem você precisar pagar por anúncios. Todavia, se a sua loja virtual tem dezenas de produtos como temos no nosso site, não vai ser possível fazer o processo de otimização em todos os itens à venda em pouco tempo.

A minha sugestão é pesquisar no Google Console e em outra ferramenta para análise de SEO, como AHREFS e SEMrush, para quais palavras você está ranqueando bem e quais destes termos realmente são interessantes para o seu negócio e geram grande volume de tráfego qualificado. Além disso, examine os termos que os seus concorrentes estão posicionados, a relevância dos mesmos e a dificuldade destas palavras-chaves.

Selecione uma lista de 5 termos entre cauda longa e cauda curta para focar em cada uma das 5 primeiras fases de otimização que podem ocorrer em semanas alternadas. Para completar a listagem, você pode escolher os 5 melhores produtos da sua loja, seja por terem uma boa margem de lucro, um bom preço ou atributos superiores aos dos concorrentes, como qualidade, design ou inovação. Acompanhe o seu planejamento e a sua evolução em um planilha.

4 – Diga com quem andas e eu te direi quem és

O Link Building é o elemento mais importante do SEO Off-page uma vez que atribui autoridade para a página e para o domínio do seu e-commerce.

Imagine como se a internet fosse uma biblioteca repleta de livros. Neste contexto, o Link Building funciona como um sistema de indicações de websites, como as conhecidas referências bibliográficas. Quanto mais indicações a sua loja virtual receber, maior será a sua relevância para os mecanismos de busca.

Porém, é importante receber links de portais que tenham autoridade no tema do segmento de produtos que você está comercializando, já que o Google utiliza a máxima “diga com quem andas e eu te direi quem és” para classificar o temática do seu site.

5 – Antes só do que mal acompanhado

Ainda sobre Linking Building, uma grande discussão gira em torno da qualidade versus a quantidade de links.

Um backlink de qualidade é um link proveniente de um site de alta autoridade de domínio, sendo confiável tanto para os motores de busca quanto para as pessoas que estão pesquisando. Quanto maior a relevância, mais respeito você receberá por parte do buscador.

Mesmo assim, receber links de domínios com relevância inferior à da sua loja também pode ser positivo. Mas é preciso estar ciente que enquanto você está gerando muitos links, com foco em quantidade em vez de qualidade, todos eles serão menos valiosos quando considerados em conjunto. Além disso, você corre o risco de gerar backlinks acidentalmente de sites spam e, se isso ocorrer, haverá grande prejuízo para a sua estratégia de SEO.

6 – Água mole, pedra dura, tanto bate até que fura

Depois de atrair os visitantes para a sua página, agora é hora de ficar atento para as estatísticas de conversão e focar os esforços de marketing em pessoas que demostraram estar interessadas no seu produto ou serviço, já que raramente o consumidor faz a compra logo no primeiro contato ou pesquisa.

Desta forma, a estratégia de Remarketing é aplicada por meio de campanhas de e-mail responsáveis por reativar os clientes da sua lista, sempre com um incentivo claro para a ação. Pode ser um e-mail para relembrar sobre os produtos que foram abandonados no carrinho ou até um informativo de uma promoção que possa interessar essa pessoa em especial. É possível, também, oferecer um cupom de desconto ou alguma vantagem exclusiva, aumentando a chance de ela fechar negócio com você.

Já o Retargeting é a estratégia de direcionar os anúncios somente para quem entrou no seu e-commerce anteriormente. Ou seja, a comunicação é dirigida para um perfil de usuários com elevado potencial de compra, havendo uma alta taxa de conversão.

7 – A voz do povo é a voz de Deus

Você atraiu o cliente para a sua loja online e ele finalizou a compra. Chegamos no momento de incentivá-lo a publicar avaliações sobre os produtos adquiridos e compartilhar com outras pessoas a experiência positiva que teve com a sua empresa.

Muito mais do que aumentar o engajamento por meio do incremento do número de curtidas e de comentários nas redes sociais e no seu canal online de vendas, as avaliações dos consumidores passam credibilidade e influenciam outros clientes a darem mais um passo em direção do fundo do funil.

Além disso, os reviews geram insights valiosos para o varejista, que conhece um pouco mais sobre o seu público, e conteúdo relevante para o e-commerce, influenciando no ranqueamento orgânico por ser mais uma ação de SEO On-page. Assim não restam dúvidas sobre a importância das avaliações.

8 – O pior cego é aquele que não quer ver

O mercado virtual é extremamente competitivo e volátil. Dependendo do tipo de massificação do produto, os clientes não hesitam em mudar para a concorrência. Mas sempre tem o lado bom: o consumidor online deixa um rastro digital e existe muita informação gratuita disponível.

Desta maneira, a análise periódica dos indicadores é fundamental para entender a posição atual da sua loja e projetar os próximos passos. Os indicadores-chave de performance (KPIs) mais populares no e-commerce são:

  • Taxa de Conversão: Faz a relação entre quantos clientes estão efetivamente comprando na sua loja virtual diante do número total de visitantes do site.
  • Ticket Médio: Monitora o valor médio de cada compra, dividindo o valor total arrecadado pelo número de vendas efetuadas.
  • Abandono de Carrinho: Analisa o percentual de clientes que simplesmente não concluíram a compra e que podem ser reimpactados.
  • Custo de Aquisição de Clientes (CAC): Divide a soma dos investimentos para adquirir um cliente pelo número de clientes conquistados em um certo período.
  • Tempo de Vida do Cliente (LTV): Lifetime Value é a quantidade de valor que um cliente contribui para a sua empresa ao longo da vida — desde a primeira compra até o momento de rotatividade.

9 – Uma andorinha sozinha não faz verão

Ufa! Ao longo dos 8 ditados anteriores foi possível perceber que são inúmeros os aspectos que devem ser considerados quando falamos em negócios digitais. Se você pretende se aventurar por essas terras, ou já iniciou a sua caminhada, vale lembrar da importância da constância das ações nas diferentes áreas críticas de sucesso.

Atacar todas as frentes ao mesmo tempo, sempre. O que vai mudar é a intensidade e o esforço que a sua empresa vai dedicar para cada área nos diferentes momentos de estruturação e de crescimento do negócio. Aqui vai pesar o quanto você tem de recursos financeiros para investir na operação e qual a força de trabalho disponível para tocar todas as demandas.

10 – Mentira tem perna curta

Por fim, mas não menos importante, está a reputação online da sua loja. Trate o cliente como prioridade na sua empresa. Seja honesto em todas etapas do processo, atenda com rapidez e cordialidade, resolva os problemas que possam surgir e sempre fale a verdade.

Assim como a mentira tem perna curta e se você não entregar o que prometeu rapidamente as reclamações estarão disponíveis para todos no Reclame Aqui, o inverso também é verdadeiro. Quando você surpreende o cliente com um serviço de qualidade e uma experiência de compra satisfatória, ele retorna e ainda fala bem de você para o seu círculo de contatos.

Nenhuma empresa de varejo deseja vender somente uma vez, mas sim formar uma rede de consumidores recorrentes que possam até se tornar advogados da marca. Pense no lucro a longo prazo e o sucesso será consequência de todo este trabalho e dedicação.

FONTE: e-commercebrasil

AUTORA: Natália Frota